segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Por trás do lápis: Marcel Trigueiro

Hoje é dia de mais uma entrevista!! Nós vamos começar uma maratona de entrevistas aqui no blog, porque são tantos autores bons aparecendo que vocês precisam ser apresentados a eles, certo??

Na verdade a maratona já começou no início do mês com a entrevista da Jana Bianchi, e teremos duas por mês por um tempo!




Agora apresento a vocês o Marcel Trigueiro. Vem comigo conhecer mais sobre ele!

"Sendo sua mãe formada em direito e tendo sido seu finado pai jornalista, Marcel Trigueiro sempre teve intimidade com as letras. Sempre gostou muito de ler, mas somente depois da sugestão da sua esposa para que ele escrevesse um livro ele deu início à produção de sua primeira obra: O Próximo Alvo. Além do livro, o autor por vezes gosta de escrever as suas crônicas."







Oi Marcel! Bem vindo ao Infinitos Livros!
Nos conte um pouco sobre o seu processo de escrita! Muitos leitores têm curiosidade sobre o momento que o autor senta para começar a escrever. Você opta por um lugar calmo e silencioso, ou é do estilo que só escreve com música, por exemplo?
Desde que comecei a escrever, já comprovei que a melhor coisa a fazer é escrever todos os dias, inclusive feriados e finais de semana. Essa é a base do meu processo de escrita, principalmente durante a criação do “draft principal” (para o qual mais criatividade é necessária), que é aquele draft que já tem a espinha dorsal bem definida, a trama construída, faltando apenas ajustes, uns maiores, outros menores. Se passo alguns dias sem escrever, os personagens já começam a ficar mais distantes de mim, e começo a me distanciar da obra.
Como tenho que escrever todos os dias, nem sempre escrevo usando o mesmo computador. Às vezes é no notebook, aproveitando o intervalo do almoço, e às vezes é no desktop (na sala). É raro, mas acontece de escrever também no celular.
Geralmente, prefiro escrever em silêncio, à noite, depois que todos em casa já foram dormir. Mas ultimamente tenho gostado de escrever ouvindo música épica, parecida com música instrumental, daquelas geralmente usadas em trilhas sonoras de filmes.


Você começou a escrever depois de mais velho ou já é um habito cultivado desde muito jovem?
Só comecei a escrever depois que minha esposa perguntou “Por que você não escreve um livro?”. Até então, não tinha hábito de escrever contos, livros, etc. Apenas tinha, digamos, o hábito de tentar escrever bem o que me colocavam para escrever (trabalho de fim de curso da faculdade, e-mail, redação, etc). Não houve um momento mágico em que “fui iluminado” e começei a escrever. Simplesmente aceitei a sugestão dela e comecei.


Seu primeiro livro, O Próximo Alvo, foi publicado recentemente. De onde surgiu a ideia para um cyber-thriller?
Então, depois que minha esposa deu a sugestão, comecei a pensar no que eu poderia escrever. Comecei a pensar em quem seria o protagonista. Claro que minha área de atuação – informática – influenciou, mas achei que seria muito chato, por exemplo, ter um analista de sistemas como protagonista. Seria melhor alguém autorizado a segurar uma arma. Então, decidi que seria um perito computacional da Polícia Federal.
A partir da definição desse protagonista, a opção por um cyber-thriller foi natural, e o resto se desenvolveu.


Talvez um analista como protagonista não fosse tão ruim! Já assistiu ao seriado Mr. Robot? O protagonista é justamente um analista de sistemas tudo bem que ele também é um hacker, mas.... hehehehe
Bom, quais foram os maiores obstáculos para publicação? Como foi publicar com a Lumos?
Às vezes o obstáculo é o próprio escritor, e é preciso alguém de fora para ajudar a “remover” esse obstáculo.
Em 2012, depois de vários ciclos de escrita e reescrita, eu achava que tinha algo para publicar. Achava que tinha um bom rascunho. Enviei para algumas editoras “tradicionais” (tempos depois soube que todas me rejeitaram), mas fiz uma coisa muito errada: enviei para elas antes sequer de ter a opinião de alguém.
Já desconfiando que as editoras me rejeitariam, me conformei e encomendei uma leitura crítica profissional. O resultado: o parecerista praticamente só gostou, bastante, da trama. Do resto (diálogo, ambientação, final, etc) ele não gostou. Aquilo foi um banho de água fria para mim, mas depois de ler o parecer dele umas dez vezes, vi que tinha razão. Então, trabalhei duro para reformular o texto e contratei uma editora para publicar meu livro.
Então, meu primeiro obstáculo havia sido eu mesmo. O segundo foi justamente a experiência mal-sucedida com essa editora, que depois veio a falir. Ela fez o papel dela, em parte, embora eu não estivesse 100% satisfeito com a diagramação e a capa. Enviei então o livro, em 2013, para vários blogues, que gostaram do livro (a resenha de alguns deles está no skoob), mas um dos resenhistas me fez um favor bem maior do que escrever uma resenha. Ele me pediu que eu enviasse o livro por e-mail, e algum tempo depois ele me retornou o documento, cheio de comentários. Ou seja, ele fez praticamente uma segunda leitura crítica, e de graça. Quando li o feedback dele, percebi que o livro ainda precisava de melhorias; então, decidi rescindir o contrato com aquela editora e trabalhar no texto novamente.
Depois disso, levou algum tempo até que cheguei à Lumos, e fiquei bastante satisfeito com os serviços dela. Foi uma experiência muito boa. Por exemplo, o profissional que revisou o texto era excelente.


Para os leitores que ainda não o conhecem, fale um pouco mais sobre sua obra.
Trata-se de um cyber thriller policial. Basicamente, um perito computacional tenta parar uma série de atentados terroristas no Rio. Por atentados terroristas aqui, não quero dizer aqueles que vemos tradicionalmente na TV (com homens-bomba, por exemplo). No livro, centenas de milhares de pessoas são ameaçadas ou são informadas que pessoas próximas irão morrer. Porém, apenas algumas ameaças realmente se concretizam, e ninguém sabe quem é o próximo alvo. Isso causa um sentimento de insegurança tremendo na população, e esse perito entra no caso quando descobrem que há alguém conseguindo informações pessoais das potenciais vítimas através de suas contas online.
Mas não se trata de um livro meramente cibernético. É policial. Por exemplo, há incursões na favela com a ajuda do BOPE. É uma trama com alguma complexidade. Então, o leitor que espera uma corrida frenética vai se decepcionar, pois não é uma leitura rápida.


Você fez alguma pesquisa quando estava escrevendo o livro? De que tipo?
Várias. O modo de operação das polícias (Militar, Civil e Federal), a geografia do Rio, inclusive das favelas, questões técnicas, etc.


O que podemos esperar das suas próximas obras? Já tem alguma outra engatilhada?
Até o fim do ano espero terminar o primeiro draft (candidato a leitura crítica) do meu segundo livro. Trata-se de um livro menor (talvez com 30% menos palavras), e mais corrido, já que a história principal se passa em algumas horas, em vez de alguns dias. Nesse livro, o protagonista do primeiro livro também participa, mas ele é apenas UM DOS protagonistas, e não O protagonista.


Quais são os autores nacionais que mais o inspiram? E no geral, considerando a literatura internacional?
Gosto do Eduarto Spohr, autor de A Batalha do Apocalipse. A obra dele me inspirou mais pelo estilo da narrativa e pela atenção aos detalhes do que pela trama.
Considerando autores internacionais, gosto de Agatha Christie, mas aqui não pelo estilo e sim pela trama.


E os seus autores/livros favoritos, quais são? 
Não tenho um autor favorito. Tenho autores favoritos divididos por certos aspectos literários. Por exemplo, como mencionei, existe Agatha Christie, pela trama, Dan Brown, pelo componente “thriller”, Eduardo Spohr, pelo formalismo de alguns trechos, Harlan Coben, pelos finais das histórias e pela narrativa sucinta, Scott Turow, pela maneira como ele retrata personagens típicos de thrillers jurídicos, Carlos Ruiz Zafón, pelas descrições meticulosas, Umberto Eco, simplesmente pelo vocabulário extenso (aqui, não necessariamente uma vantagem, mas no caso da obra dele, é), etc.
Mas, para escolher um autor favorito, de um modo geral, isso depende muito do meu momento. Atualmente, acho que é Agatha Christie.


Por uma questão mais cultural, os autores nacionais são muito desvalorizados no Brasil. Parece que isso está começando a mudar. Como autor, qual a sua percepção a respeito?
Eu concordo, mas acho que as novas gerações estão vindo mais abertas a autores nacionais. Claro que existe uma certa resistência, já que as grandes editoras procuram publicar só coisas já comprovadas lá fora, que já fizeram sucesso em outros idiomas e que têm maiores chances de dar certo aqui. Por causa desse filtro, é natural que os leitores adquiram certa resistência por autores nacionais, e principalmente pelos novos autores.


Marcel, muito obrigada pela sua disponibilidade em falar conosco e contar um pouco mais sobre o processo de criação! Desejamos muito sucesso à você!


E aí pessoal? O que acharam da obra do Marcel? Estou bem animada com a leitura! Em breve conto a vocês!!

Samy =)

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